Não é verdade que nas nas últimas eleições presidenciais na França, os dois partidos que dominaram aquela nação por 30 anos tenham ficado de fora do segundo turno e derrotados.

Lembram quando PFL, aquele partido atingido por escândalos na Era FHC e que tinha sido criado por remanescentes da Arena, PDS e dissidentes de outros partidos? Pois é a história do Em Marcha, partido criado para abrigar Emmanuel Macron em abril de 2016, tem muita semelhança.
No caso Brasileiro a ARENA, deu lugar a dois partidos PDS e PDC. O PDC virou PPR e depois PR. Já o PDS se transformou em Frente Liberal – FL, PFL e mais recentemente DEM e Democratas.
No governo de François Hollande, Macron foi Ministro da Economia, Indústria e Assuntos Digitais da França. Ele era um forte concorrente dentro do Governo, mas fraco no partido.
Por isso, Macron e aqueles que acreditavam que ele tinha chance de ganhar a eleição criaram um “novo” partido e em um ano o elegeram e antes da sua posse já mudaram o nome para “Republicanos Em Marcha”.
Impossível não desconfiar que o Em Marcha não seja um puxadinho do Partido Socialista de François Hollande. Abaixo explico a estratégia de Macron.
Aliás, mudar de nome não foi exclusividade de Macron/Hollande. O próprio União Por Um Movimento Popular, de Sarkozy passou a se chamar Os Republicanos.
De qualquer maneira, essa história de que os partidos tradicionais foram derrotados é pura balela e resultado da ação dos meios de comunicação pró União européia.
O desafio de Macron é superar o que seus dois antecessores (Sarkozy e Hollande), que não foram eleitos mas sim “aclamados”, mas terminaram seus mandatos com péssima aprovação, não se reelegeram e oficialmente não fizeram seus sucessores, embora na prática Macron seja um derivado de Hollande.
Assim, novidade mesmo na campanha francesa só a aparição e o desempenho da nacionalista Marine Le Len. Se os franceses não a quiseram agora, não significa que daqui há 4 anos ela não seja aclamada.
O grupo que identificou em Macron o “novo” presidente da França, em um ano, adotou medidas certeiras, friamente calculadas e postas em prática:
1. Desvinculou a imagem dele do decadente François Hollande.
2. Fundou um partido.
3. Identificou áreas em todo o território francês onde havia palavras chaves como Esperança, revolta, rejeição, tolerância, intolerância, etc.
4. Realizou 300 mil visitas em casas, apartamentos, sítios, locais de trabajo, etc.
5. Fizeram 25 mil entrevistas de 15 minutos.
6. Extraíram cada palavras de acalanto e esperança que os franceses estão àvidos para ouvir.
7. Tudo isso usando um sistema de algoritmos (inteligência artificial) parecido com com o que Obama usou nos EUA na sua primeira campanha.
O resultado de tudo isso foi usado por Macron para fazer suas propostas e desmontar seus adversários.
Por trás de tudo isso, Brigitte Trogneux, de 63 anos, 24 anos mais velha que Macron, que o conheceu quando ele tinha 15 anos, em uma escola onde ela era sua professora e hoje é sua esposa.
A eleição de Macron foi tão surreal que mesmo aqueles que votaram nele admitem que o elegeram não por nele acreditarem, mas sim para evitar a Vitória de Le pen. Esses franceses se juntaram a milhares de outros que já começaram a protestar contra as medidas que ele ainda vai anunciar. Já que sequer foi empossado.