A área conhecida como Cracolândia, no centro de São Paulo, surgiu na década de 1960 e os primeiros drogados a circular livremente por lá foram os artistas do chamado  cinema marginal. De lá pra sob o olhar covarde, omisso e complacente de 9 prefeitos e igual número de governadores, houve um crescente aumento até se transformar numa terra de zumbis. Homens, mulheres e crianças de todos os estados, perambulam, praticam pequenos furtos e alimentam o milionário mercado do tráfico.

Mais ou menos no mesmo período Nova Iorque se transformava numa grande boca de fumo, local para a prática de crimes diversos e toda forma de violência. Há muitas semelhanças entre SP e NY, mas lá o problema foi resolvido. Depois de perder uma campanha para prefeito, o descendente de italiano Rudolph Giuliani administrou a cidade por dois mandatos. Ele usou Leis severas e politica chamada tolerância zero – Outra medida que colaborou com o fim da epidemia de crack foi a aplicação de leis severas, já existentes.

A lei Rockefeller, apesar de ter sido criada antes da epidemia, em 1973, foi responsável pela explosão no número de condenações por posse de drogas, passando de 2.554 em 1980 para 26.712 em 1993. A lei estabelecia sentenças mínimas obrigatórias de 15 anos até a prisão perpétua por posse de cerca de 110 gramas de qualquer tipo de droga. Entre os jovens levados à prisão, 70% usavam crack em 1988, contra 22% em 1996.

Giuliani, impôs punições automáticas para qualquer tipo de infração, como a pichação, por exemplo. O objetivo era eliminar por completo a conduta criminosa e as contravenções. Durante sua administração, Giuliani reduziu pela metade as taxas de criminalidade de Nova York. Uma das armas foi a adoção do Compsat, um sistema utilizado pela polícia para detectar os principais pontos onde ocorrem os atos criminosos e levar a uma ação rápida de combate ao crime.

A legislação mais dura, combinada à ação policial respaldada pela política de tolerância zero, o crescimento econômico e mudanças demográficas, como o envelhecimento da população, são apontados como os principais fatores responsáveis pela redução de cerca de 80% nas taxas de crimes em geral em um período de 20 anos. Em 2010, a cidade registrou 536 homicídios.

Alguns especialistas também argumentam que os efeitos destrutivos do crack tornaram-se aparentes, fazendo com que os novos usuários, com medo do poder maléfico da droga, ficassem longe dele. Em Nova Iorque, o prefeito contou com o apoio da justiça, da Polícia, da imprensa, do governo federal, do ministério público, exatamente o contrário do que ocorre em São Paulo, quando todos se unem para proteger os traficantes, os usuários e todos os demais que se beneficiam daquela terra de zumbis.

A Cracolândia é só mais um exemplo de que mesmo as coisas que deram muito certo em outros países nunca darão certo aqui. Em 37 anos, SP teve 9 prefeitos, o atual João Dória, foi aquele que resolveu encarar o problema, mesmo sabendo que SP não é Nova Iorque e que as instituições daqui são todas estranhas. Assim, tem sido possível vê o ministério público, defensoria pública, OAB, imprensa executando uma pesada campanha contra a iniciativa de Dória de não ser omisso diante de um tão grave problema.