Há tempos MPF e PF travam um duelo regado a vaidade, incoerência e falta de bom senso. A disputa pela primazia na investigação, a guerra para saber quem conduz as delações, a falta de bom senso sobre quem tocaria os inquérito e etc, ficou tão evidente que os delegados parecem ter jogado a toalha.

Tudo indica que o acordo com os Batista’s Brothers foi uma enorme chance perdida. Tudo leva a crê que os donos da JBS fecharam um acordo tão bom (para eles) que no leito da morte eles ainda estarão sorrindo.

Estão surgindo tantas incoerências e incongruências, que horas depois de ter sido tornado público o acordo da JBS com a PGR, especialistas já apontavam e questionavam vários supostos pontos falhos no processo.
1. A PGR, tantas vezes acusada de patrocinar vazamentos e que sempre reagiu firmemente contra essa prática, não deu um pio dessa vez.

2. O jornalista autor do “furo” tinha vários enfoques a serem abordados, mas escolheu o de maior apelo sensacionalista, mas – pelos menos nos áudios divulgados – não fica claro que Temer comprava o silêncio de Cunha, sem prejuízo dos outros crimes que por ele podem ter sido cometidos.
3. Pelo menos cinco peritos já afirmaram que os áudios foram possivelmente adulterados, um perito de renome disse que “barulhos” foram inseridos no áudio, possívelmente, para encobrir nomes e outras informações prestadas pelos delatores.
4. O advogado que conduziu o processo de “delação relâmpago” e controverso, até dias atrás era o Homem de Ferro da PGR e braço direito de Rodrigo Janot, agora o salvador da Pátria chamada JBS.

5. Delegados da PF afirmaram que jamais o acordo deveria ter sido aceito sem checar a veracidade dos áudios, sem perícia, sem laudo definitivo, sem autenticidade.

Em meio a tudo isso, a conclusão primeira que se tira é que por pouco um presidente não renunciou tendo como embasamento um acordo controverso, baseado em provas questionáveis, costurado por profissionais que dias antes mudaram de lado. É como se num dia antes da final do campeonato brasileiro de futebol, o principal jogador da equipe favorita, que tinha vencido a primeira partida mudasse de lado.
Por muito menos, processos mais robustos, com envolvidos mais famosos, foram anulados no STF. É claro que os inquéritos decorrentes da delação da JBF e o próprio acordo deverão ser – no mínimo – suspensos, até que essas e outras muitas dúvidas sejam esclarecidas. É claro que na guerra de egos entre MPF e PF esse foi o momento mais crucial e o que mais pode ter causado motivos para controvérsias. Oxalá que tudo isso não sejam convertidos em sérios prejuízos.