O clima na Assembleia Legislativa do Estado de Roraima (ALE-RR) é o pior possível com a renovação por mais 15 dias da licença de afastamento do seu presidente, Jalser Renier (SDD), para “tratar de assuntos de interesse particular”.

Afinal, é inevitável e começa a ficar insustentável o constrangimento a que está submetido o poder Legislativo de Roraima e todos os seus servidores por estar sob o comando de um presidente-presidiário, que todo dia deixa a prisão para ir ao trabalho, mas que há mais de 20 dias não aparece no plenário.

A ALE-RR sob a desconfiança do cidadão e vive dias de sessões esvaziadas pela falta de quórum. E de silêncio. Poucos deputados se arriscam a falar sobre o assunto. Muito menos de tomar qualquer medida contra Jalser.

Pior: para o corregedor da ALE-RR, deputado Massami Eda (PMDB), está tudo bem, não há nenhum problema para o parlamento continuar sendo dirigido pelo presidente-presidiário. Foi o que disse nesta terça ao jornal da TV Roraima/Globo. “Isso não atrapalhou os trabalhos”, afirmou.

 

Uma voz no deserto

Nesta terça, o deputado Soldado Sampaio (PCdoB) se insurgiu contra essa situação, que considera vergonhosa para a Assembleia e para a sociedade roraimense.

Ele entrou na Justiça com uma ação popular para pedir o afastamento imediato e definitivo de Jalser Renier da presidência da ALE.

Sampaio disse que antes de mover a ação fez tal sugestão ao presidente-presidiário e ouviu deste que não largaria o cargo.

O deputado disse na ação à Justiça: “… o poder Legislativo roraimense vive dias de absoluta indefinição e desconforto perante a sociedade, afinal um dos poderes do Estado encontra-se sob a regência de um presidiário, algo absolutamente imoral, antiético e indiscutivelmente afrontoso à Carta Política de 1988 e à Constituição do Estado de Roraima”.

 

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Força fantástica

Jalser é caso exclusivo no país de um condenado e preso que comanda um poder de dentro da cadeia.

Prova de força ele deu neste dia 17, quando comandou da prisão um reajuste salarial de até 108% para servidores e auxiliares da cúpula da ALE-RR.

Um superintendente, que comanda o setor de comunicação da Assembleia, por exemplo, ganhou um upgrade de salário de R$ 9,5 mil para R$ 20 mil.

Essa mesma superintendência divulgou nota à imprensa dizendo o aumento salarial extraordinário “não causará impacto na folha da Assembleia”.

 

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